PERFIL DA TERAPEUTA

Meu primeiro contato com a craniossacral foi ha aproximadamente 20 anos nos EUA, encaminhada por minha professora de fisioterapia equina, durante meu 2º estágio. Recebi uma sessão que representou uma das experiências mais fortes que tive na vida. Logo decidi que um dia faria a formação, o que aconteceu anos depois no Brasil. Foi um marco! Porém minha atividade profissional inicial foi a Medicina Veterinária. Abraçar esta profissão foi reflexo da criança que fui  que se sentia acolhida e acompanhada pelos animais durante os momentos de solidão. Mas não necessariamente pelos animais de companhia: por rãs, abelhas, cupins, formigas. Era já muito cedo uma observadora de tudo e do comportamento desses companheiros. Uma amiga de infância diz que se lembra de  que quando eu encontrava uma rã ou lagartixa mortas, lá pelos 5 a 6 anos, fazia a cirurgia “para ver como era por dentro”. Eu me lembro vagamente. Mas me lembro de que mais tarde, depois dos 6, 7 anos salvei muito passarinho que batia no vidro. Se algum não sobrevivia eu sentia dor no coração, fazia o enterro e enchia de florzinhas lindas por sobre a terra.

Estudei na faculdade de veterinária da USP- São Paulo. Escolhi, durante a graduação, trabalhar com cavalos, entrando para um mercado bastante concorrido e me mantendo nele como médica veterinária clínica, atendendo cavalos da cidade de São Paulo (hípicas, hipódromo) e do interior do estado. Fiz isso por 19 anos. Ou seja, atuava nas áreas de clínica geral, obstetrícia, cirurgia, dermatologia, medicina esportiva, ortopedia, odontologia etc. (especialidades que hoje estão separadas entre si na Medicina). Isso permitiu que tivesse conhecimento bastante abrangente, visão que facilitava desvendar as causas dos sintomas observados para obter diagnóstico preciso, apesar de os animais não falarem, e proceder à melhor decisão terapêutica. Investigar uma doença tendo apenas um sintoma e exame clínico hoje em dia parece impossível. Mas é rotina para um veterinário; além dessas habilidades todas o veterinário precisa ter intuição muito desenvolvida. Assim também o pediatra se depara com a falta de comunicação verbal com seu cliente, o bebê, e precisa de outras habilidades além do conhecimento técnico. Sou do tipo que não sossega sem conhecer as causas geradoras de um sintoma. E também não me conformo com o que passa a ser senso comum se o senso comum não responde minhas perguntas. Assim acabei encontrando na fisioterapia uma resposta para os padecimentos do sistema musculoesquelético dos cavalos. Investi no conhecimento desta área e no seu desenvolvimento para aplicá-la a cavalos, prática encontrada em poucos locais do mundo naquela época. Criei a primeira equipe nacional de fisioterapia para recuperar cavalos de esporte.

Tocava-me a alma perceber que os animais eram exigidos nesta prática, nas várias modalidades, sem direito de expressar seu sofrimento (diferentemente de um atleta humano) e sem ter acesso ao conforto, analgesia, diminuição do uso de fármacos  e qualidade de reparação dos tecidos a que os humanos já tinham há muito tempo, proporcionados pela fisioterapia. Por 8 anos trabalhei exclusivamente nesta área, sempre me aperfeiçoando e incrementando a qualidade de serviços, através de estudos e cursos na área da fisioterapia em humanos e outros como medicina esportiva, terapia morfoanalitica etc e estágios no exterior, e a experiência desenvolvida no atendimento dos casos ortopédicos de cavalos internados no Hospital Veterinário da FMV da USP por 6 anos. O entusiasmo com os resultados deste trabalho pioneiro inspirou minha pesquisa para a elaboração e defesa da tese de mestrado  em 2003 na faculdade de veterinária da USP. Minha dissertação propunha uma forma não agressiva e não invasiva de tratar “dor de canela de potros de corrida”, sugerindo substituir as frequentes pontas de fogo, “tratamento” por meio de furos vários na pele da canela com ponta de ferro incandescente.  Esse percurso por diferentes áreas acabou me transformando numa  pessoa de mente mais aberta, mas que ainda mantém o senso critico e investigativo aguçados.

Algumas formações e estudos em áreas já desenvolvidas para os seres humanos, buscando aplicá-las aos cavalos, me levaram ao encanto em relação à natureza humana. O curso vivencial de terapia morfoanalitica foi minha introdução ao mundo das terapias corporais. Também foi o 1º despertar para o mundo dos sentimentos, do inconsciente, da memória do corpo antes do conhecimento racional (“o corpo tem suas razões que a razão desconhece”). Foi o start para empatizar-me com o sofrimento físico das pessoas e mais tarde com a dor emocional, adquirindo com mais estudos e experiências, a clara noção de que emocional e físico eram indissociáveis. Antes de me envolver com a formação em terapia morfoanalitica, procurei esta técnica como paciente, numa tentativa de ser ao menos aliviada das dores crônicas nas costas que às vezes se agudizavam e me imobilizavam na cama, o que ninguém da área médica resolvia! E com a morfoanálise a luz se acendeu no fundo do túnel. O sonho de acordar um dia sem respirar dor, depois de tantos anos, aproximadamente 15, finalmente se realizou. Entendi o porquê de tanta dor e pude então buscar apoio em áreas que reconhecem a psicossomatização na origem de casos como o meu. Passei a mergulhar nos estudos da psicanálise, gestalt terapia e de terapias corporais e holísticas várias querendo absorver tudo que fosse necessário para colaborar com a minha recuperação.

Quando alguém me consulta sobre como é meu trabalho, posso falar dele com muito empenho e seriedade, mas não estarei de fato falando de como eu trabalho porque, para cada pessoa, os recursos utilizados serão os que mais se adequem àquele paciente que é único, seja sua queixa de ordem física ou emocional. Não deixa de ser um perfil singular, construído com habilidades desenvolvidas ao longo de toda a vida, com experiências pessoais, profissionais e na relação com pessoas e animais e que se revela durante o trabalho e evolui a cada encontro, a cada sessão.

Alguns pilares teóricos apoiam meu trabalho hoje e podem ser definidos: o embasamento na psicanálise de Melanie Klein, Winnicott, Rosenfeld e Françoise Dolto, entre outros, conceitos de fisioterapia, ginastica funcional e RPG e por fim, porém de importância vital e possibilidades ilimitadas no processo curativo, a terapia de integração craniossacral biodinâmica®.

A meta: devolver o curso da própria  vida para as mãos das pessoas que me procuram,  na busca da sua auto-revelação, aceitação, realização, autonomia e consequente recuperação da saúde. Dedico atenção e presença para ouvir o que precisam comunicar para se libertarem de seus males por meio das mais variadas formas de comunicação, inclusive a verbal. No final do período em terapia,  contemplo o renascer do ser original, que sente então espontaneamente aflorado o amor  incondicional  por si, pelo outro, pela Natureza enfim.

Dediquei-me em especial ao estudo da comunicação entre bebês e suas mães, pais ou cuidadores, e aconselhamento de pacientes mães ou pais de primeira viagem, despertando-os para a importância de se reconhecer o ponto de vista do bebê e a necessidade imprescindível de serem compreendidos para poderem assumir sua própria identidade muito cedo na vida e serem felizes e capazes de exercer com qualidade a função amorosa e inata de ser um dia mãe ou pai. Atualmente estou envolvida com a possibilidade de informar os pacientes de técnicas de relaxamento que podem lançar mão em qualquer situação em que sintam necessidade, seja em casa, no trabalho, no transito, etc., dando-lhes autonomia para isto e para condutas preventivas.

Este percurso de vida intencionando amenizar a dor de animais ou pessoas fez com que eu fosse também me desenvolvendo como ser humano, renovando conceitos e valores, tornando-me uma pessoa consciente de mim e capaz de estabelecer relação empática com o outro.

É um trabalho altamente gratificante devolver vitalidade e bem-estar às pessoas que me procuram cheias de conflitos e dores, buscando um caminho que, no final, descobrem ser o do encontro consigo mesmas.

SIMONE CALDEIRA

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