Preconceito: dá pra parar?

Ao buscar uma melhor compreensão do preconceito, nos deparamos com a constatação de que técnica e objetivamente, o preconceito é atributo da porção mais primitiva do nosso cérebro, a reptiliana. Antes da nossa evolução até tornarmo-nos homo sapiens, há milênios, ainda convivendo com outras espécies de animais lado a lado na selva, o diferente, a outra espécie, representava ameaça.  Reconhecíamos automaticamente, do mesmo jeito que o nosso coração bate de forma autônoma, que, o que é “diferente de mim” é um inimigo potencial, possivelmente um predador. Ou seja, o diferente gera medo e aciona mecanismos involuntários/inconscientes que nos avisam que há ameaça à sobrevivência, provocando assim reação automática de luta ou fuga.

Com o passar dos tempos e dentro de um novo paradigma, não mais na selva, os comportamentos face ao medo que se equiparam aos de fuga ou de luta são os de rejeição e agressão verbal ou mesmo física. Em sendo o preconceito uma aversão ao diferente resultante de um instinto (cérebro reptiliano), o medo, o preconceito não é passível de controle porque esta porção do cérebro ainda é ativa e prepondera, embora tenhamos evoluído. Acontece que, com a consciência atual, ficamos chocados e cheios de raiva porque julgamos o preconceito enquanto resultado de um sentimento e não enquanto reação inconsciente a um instinto. Portanto em vez de brigar contra o preconceito que infelizmente existe em todo ser humano porque é inato em todo animal, não seria mais produtivo investirmos em nossa conscientização desse processo e aceitar que somos sim preconceituosos e só então lutarmos em conjunto contra a sua expressão na forma de rejeição e agressão dentro de nós mesmos? Para isto só precisamos saber que em alguns microssegundos o neocortex é notificado da emoção gerada e já pode reconhecer a origem a tempo de evitar uma reação irracional e induzir uma atitude em bases mais elevadas!

Não cabe mais em nossa sociedade a reação exagerada contra este instinto, mas sim evitar suas consequências tão negativas. Há milênios nos tornamos sapiens. Urge encontrar uma fórmula pacífica para aceitar, desculpar a nós mesmos e agir de forma mais humana.

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